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domingo, 26 de agosto de 2012

MAUÁ




Para chegar até a fábrica onde minha irmã trabalhava, tínhamos de descer a avenida Pedro Sales que levava à Estação Ferroviária, uma longa ladeira. No caminho, do lado direito de quem desce, bem acima do nível da rua, o Instituto Gammon. E um enorme muro de arrimo, feito de pedras. Nos vãos desse muro, pequenas colmeias. Delas gostávamos de tirar a cera, com que fazíamos bolinhas. Nem sei para quê, mas era mais uma diversão bobinha de moleques...

PARATODOS






Disse, e repito: o que nós tínhamos com maior abundância, além da vontade de viver, era a pobreza. Quando entrei no ginásio, a família do Vitório não tinha recursos para bancar-lhe os estudos. E ele foi colocado para trabalhar, como ajudante de... alfaiate! Pregava botões, chuleava e fazia outros pequenos arremates numa alfaiataria lá em baixo, na rua do Cine Ipê, perto da Estação Ferroviária. E sofria calado. Sofria muito, eu tinha certeza.





TROPICAL




Depois que o velho cine Municipal foi demolido (uma grande estupidez), inaugurou-se o moderno Cine Brasil, na Praça Dr. Augusto  Silva, ao lado da igreja presbiteriana. Marcante era o início de cada sessão, com as cortinas (havia cortinas?) se abrindo ao som da Protofonia do Guarani, de Carlos Gomes. Acho que foi, para nós, a época áurea do cinema, com muitos filmes inesquecíveis aos nossos olhos... Muito diferente o Cine Brasil do poeirento e velho cine Ipê, que ficava na parte baixa da cidade, lá perto da Estação Ferroviária.