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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

CASABLANCA




O imenso quintal de minha casa (hoje uma rua a ligar a praça a algumas ruas "de baixo") foi palco de inúmeras transformações provocadas por nossa imaginação ou por nossas necessidades de aventuras e de brincadeiras. Entre a frente da casa e o barranco onde se encrava uma escada de pedra, à direita de quem sobe, tínhamos um pequeno campo de futebol, prejudicado pela existência de um pé de ora-pro-nóbis que produzia umas sementes espinhudas que feriam nossos pés.

CHESTERFIELD



Nesse campinho, jogamos nossas primeiras peladas com bola de meia. Nele havia um placar onde eu e o Vitório escrevemos o nome de nosso time - qual? nem sei mais! - e "visitantes". Quem eram os visitantes? Moleques que formavam pequenos times adversários, nas longas pelejas em que saíam maltratadas nossas canelas, pelejas disputadas até que se desfizesse a bola de meia. Substituída no dia seguinte por outra. Meias e retalhos fornecidos por minha mãe, costureira, e minha irmã, já moça.


COIMBRA





Também nesse campinho improvisado disputávamos campeonatos de bola de gude, quando a temporada era de bola de gude. Porque, sim, havia temporadas para cada tipo de brincadeira: de bola de gude, de futebol, de papagaios (ou pipas, ou... sei lá quantos nomes há...), de pique-esconde, de futebol de botão, de "bafo" (disputa de figurinhas com a mão em concha sobre uma pilha de cromos)...

COLUMBIA




Se de um lado do campinho havia o nosso maior adversário, o pé de ora-pro-nóbis, do outro havia um barranco sobre o qual se plantara uma cerca viva de mandacarus que floresciam uma vez ao ano, uma flor branca e perfumada que parecia uma tocha.