Conhecemo-nos no primeiro ano do Grupo Escolar Álvaro Botelho, em Lavras, Minas Gerais, tendo ambos sete anos de vida. Ele era apenas seis meses mais velho que eu. Ficamos amigos. Amigos inseparáveis a partir daí. Inseparáveis por mais de dez anos, o tempo de nossa infância e juventude em Lavras.
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segunda-feira, 27 de agosto de 2012
ALEXANDRIA
Conhecemo-nos no primeiro ano do Grupo Escolar Álvaro Botelho, em Lavras, Minas Gerais, tendo ambos sete anos de vida. Ele era apenas seis meses mais velho que eu. Ficamos amigos. Amigos inseparáveis a partir daí. Inseparáveis por mais de dez anos, o tempo de nossa infância e juventude em Lavras.
ASTORIA
O que vou relatar, a partir de agora, são momentos de convivência durante o período áureo de nossa amizade, em Lavras, enquanto crescíamos e descobríamos juntos a vida e seus tropeços, a vida e suas alegrias, a vida e suas surpresas.
domingo, 26 de agosto de 2012
OXFORD
Não sei quando surgiu no Vitório o desejo de ser aviador. Pode ter surgido muito cedo, ainda menino de calças curtas, em alguma das exibições da Esquadrilha da Fumaça que, de vez em quando, fazia demonstrações em Lavras. Só soube dessa sua paixão por aviões já na fase de calças compridas. E essa paixão - avassaladora - virou um drama.
PICCADILLY MISTURA CLARÍSSIMA
Um parênteses. Não havia colégios públicos na "Cidade dos Ipês e das Escolas". Só mais tarde é que eles apareceram. E mais: não me lembro de nenhuma ação social que se preocupasse em dar alguma assistência a crianças como nós. Nem cursos profissionalizantes ou de qualquer outra natureza. O único curso profissionalizante que existia em Lavras era a Escola Profissional da Rede Ferroviária Federal, que formava, claro, ferroviários, já uma profissão em estado de alerta...
QUE TAL
Outra volta no parafuso das lembranças. Uma louca viagem de bicicleta. Os três - patetas! - resolvemos fazer uma aventura em cima de uma magrela: ir de Lavras a Perdões , e voltar, pela nova estrada - asfaltada - que ia até a Fernão Dias e nos levaria à cidade vizinha. Um novo parêntese: Vitório nascera em Perdões, embora se considerasse mais lavrense do que qualquer um de nós. Só nascera lá. E ainda tinha parentes lá.
XENIA
Era o Vitório um saudosista. E foi essa sua principal característica em toda a sua vida. Amava o passado que não vivera, naqueles tempos de Lavras. Depois, passou a amar e a cultivar o passado que nós vivêramos, embora fosse um piloto atento às novidades tecnológicas de seu metier. Não houve adeuses entre nós. Cada um foi para um lado, porque a vida quis assim. Mas os laços de amizade permaneceram fortes. Família a gente não escolhe e, por isso, amamos ou não os parentes, irmãos, primos, tios... Mas, amigos... esses a gente escolhe, cultiva, mantém para sempre, mesmo depois que eles partem. E o Vitório, assim como o Augusto (que também já faleceu), não é apenas um irmão que escolhi, é o eterno moleque que sabia mais aritmética do que eu no Grupo Escolar Álvaro Botelho. Sobrevivi para lembrar e contar o pouco que lembrei. E se dei o nome de LETRAS QUE CHORAM a esse blog, foi para ficar para sempre gravada a preferência do Vitório pela música de Francisco Alves, seu cantor predileto da velha guarda, que soltava a voz no rádio e nos discos pretos de vinil, cantando: "Adeus, adeus, adeus, cinco letras que choram..."
FIM
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