Galvão - era como o chamávamos - mostrou-nos uma vez uma foto de um lago existente no sítio de sua família. Do outro lado do lago, árvores imensas, em cuja copa as folhas e as sombras desenharam caprichosamente o rosto de uma mulher idosa. Dizia o Galvão que era o fantasma de sua avó. Eu achava bizarra aquela foto, mas o Vitório acreditava piamente na história e morria de medo, até das árvores do Instituto Gammon, à noite...
domingo, 26 de agosto de 2012
MINEIROS
Galvão - era como o chamávamos - mostrou-nos uma vez uma foto de um lago existente no sítio de sua família. Do outro lado do lago, árvores imensas, em cuja copa as folhas e as sombras desenharam caprichosamente o rosto de uma mulher idosa. Dizia o Galvão que era o fantasma de sua avó. Eu achava bizarra aquela foto, mas o Vitório acreditava piamente na história e morria de medo, até das árvores do Instituto Gammon, à noite...
MIRABEL
A dupla virou trio. Não sei quando, e isso absolutamente não importa, o Vitório apareceu com um novo amigo, Augusto. Augusto Correa. Atacarrado, mais para o loiro os seus cabelos crespos. Inteligente. Muito inteligente. E introspectivo. No começo, estranhei. Mas logo me afeiçoei. E viramos um trio. Inseparáveis. Jovens, tínhamos muito a descobrir do mundo. Sempre juntos. E Augusto gostava de filosofar, tanto quanto eu. E nossas discussões eram intermináveis. Para tédio do Vitório.
MISBELA
Por outro lado, Augusto tinha desenvolvida uma veia prática: a mecânica. Mecânica de automóveis. De que também o Vitório gostava muito. E as discussões entre os dois eram intermináveis. Para o meu absoluto tédio, pois não tinha nenhum interesse por automóveis, muito menos por mecânica. Então, o trio se equilibrava.
MISTURA FINA
Um relógio maluco. Encontramos, os três, um anúncio numa revista: um relógio bom e barato. Pedimos. Por reembolso postal. Uma alegria, quando chegaram os três reloginhos. Mas logo descobrimos que eles eram só baratos. E acontecia uma coisa muito engraçada com o do Vitório: ele funcionava bem até às 7h20m. Aí empacava. O Vitório ficou muito bravo dentro das calças, a essas aturas já compridas.
MONTE CARLO
O que deixou o Vitório ainda mais bravo, o que quase levou a uma desavença séria no trio, foi que, depois que ele jogou fora o tal relógio (o meu e o do Augusto ainda funcionaram durante algum tempo), sempre que nos perguntava as horas, eram sete e vinte. E mesmo que não fosse, respondíamos, por gozação, que eram sete e vinte. Tivemos que parar, pois o trio ameaçava romper-se.
MOULIN ROUGE
Ainda o tempo de calças curtas e estripulias pelos quintais. Descobrimos um riacho, lá atrás do morro onde ficava (ainda fica) o bairro de Nova Lavras. Subíamos e descíamos o morro, numa trilha no meio do mato. Eu e o Vitório. E um bando de outros moleques. O riacho encachoeirava e formava um poço, não muito fundo. Virou nosso point de natação. Aprendemos a nadar ali, depois de beber muita água.
NICK
E aprendemos a nadar também comendo vivos muitos lambaris. Diziam que isso - engolir lambaris vivos - tornava-nos nadadores. Naquele poço, passamos muitas tardes agradáveis, levamos muito caldo (brincadeira de um afogar o outro, quando distraído), gastamos mais um pouco a alegria de uma infância pobre, sofrida, mas livre. Ah, sim: e nenhum de nós se tornou exímio nadador, engolindo os pobres lambarizinhos.
NILO
Mais uma volta na roda da lembrança, e estamos os três - eu, Augusto e Vitório - paquerando as meninas no redondo do jardim. Era assim, aquele tempo: na praça Dr. Augusto Silva, a principal da cidade, havia (ainda há) um espaço com um lago redondo no meio; em torno, desse lago, uma passarela, também redonda. As meninas rodavam num virtual anel interior, num determinado sentido; os rapazes, no anel exterior, no sentido inverso.
Nº 600
Era a possibilidade de flertes, o redondo. E lá ficávamos horas, nos sábados e, principalmente, nos domingos à noite. Os poucos casais que ali se formavam iam sentar-se nos bancos mais distantes, ou passear nas calçadas laterais da praça. Se arrumamos namoradas? O Vitório, algumas vezes; eu, muito poucas; o Augusto, pouquíssimas. A timidez predominava, apesar de todos os esforços para parecermos arrojados e namoradores.
NOTURNO
O flerte no redondo, no entanto, rendia sempre "paixonites", amores não correspondidos, transformados em muitas e muitas horas de "sofrimento", de "mal de amor". O Vitório teve várias dessas "paixonites". Todos nós tivemos. Não resultaram em nada. Não podiam resultar em nada. Além da timidez, o que mais tínhamos a oferecer? Pouco, muito pouco. Nada, ou quase nada. E as garotas, quase todas de nossa idade, gostavam de rapazes mais velhos.
OLÍMPICOS
Quando ficamos mais velhos, namoramos um pouco. Logo cada um foi cuidar de sua vida. Eu, para São Paulo. O Vitório, para Belo Horizonte. Augusto tentou aqui e ali e, como não estudara (não gostava de estudar, embora fosse de nós três o mais inteligente), ficou por lá mesmo. A vida separou nossas vidas, não nossa amizade.
OXFORD
Não sei quando surgiu no Vitório o desejo de ser aviador. Pode ter surgido muito cedo, ainda menino de calças curtas, em alguma das exibições da Esquadrilha da Fumaça que, de vez em quando, fazia demonstrações em Lavras. Só soube dessa sua paixão por aviões já na fase de calças compridas. E essa paixão - avassaladora - virou um drama.
PAQUETÁ
Não. Não gostaria de falar de coisas tristes. Não há, porém, outro caminho que lembrar alguns fatos pouco alvissareiros desse período - dos sete aos dezoito, dezenove anos - de nossa intensa convivência. E o primeiro momento tenso da vida do Vitório foi no término do Grupo Escolar. Eu fiz um ano da admissão (uma espécie de quinto ano) e depois minha mãe conseguiu, com muito esforço, matricular-me no primeiro ano do ginásio, no Colégio Nossa Senhora Aparecida. O Vitório ficou para trás.
PARATODOS
Disse, e repito: o que nós tínhamos com maior abundância, além da vontade de viver, era a pobreza. Quando entrei no ginásio, a família do Vitório não tinha recursos para bancar-lhe os estudos. E ele foi colocado para trabalhar, como ajudante de... alfaiate! Pregava botões, chuleava e fazia outros pequenos arremates numa alfaiataria lá em baixo, na rua do Cine Ipê, perto da Estação Ferroviária. E sofria calado. Sofria muito, eu tinha certeza.
PETIT LONDRINOS
Então, foi uma luta muito grande convencer seus pais de que estudar era importante. Que era preciso que o Vitório continuasse seus estudos. Não tínhamos ainda a percepção clara de que uma das saídas para a superação da pobreza era ter um diploma que não fosse apenas o do grupo escolar. Enfim, nem me lembro muito bem como, o Vitório recomeçou seus estudos. Também no Colégio Nossa Senhora Aparecida. O mundo perdia, talvez, um dos seus piores alfaiates.
PICCADILLY MISTURA CLARÍSSIMA
Um parênteses. Não havia colégios públicos na "Cidade dos Ipês e das Escolas". Só mais tarde é que eles apareceram. E mais: não me lembro de nenhuma ação social que se preocupasse em dar alguma assistência a crianças como nós. Nem cursos profissionalizantes ou de qualquer outra natureza. O único curso profissionalizante que existia em Lavras era a Escola Profissional da Rede Ferroviária Federal, que formava, claro, ferroviários, já uma profissão em estado de alerta...
PICCADILLY POUCA NICOTINA
Sejamos justos: havia, sim, alguns movimentos caritativos na cidade. Até participei, mais tarde, da Legião da Boa Vontade (do Alziro Zarur, sim, esse mesmo, que jurou nunca se meter em política e tentou ser candidato à Presidência da República). Essas ações, no entanto, nunca chegaram até nós. Acho que pertencíamos não exatamente à pobreza envergonhada, mas à pobreza orgulhosa: estávamos à margem da sociedade, mas não pendurados no abismo. Havia muito mais gente só com o último dedo a sustentar suas vidas, antes da queda.
PICCADILLY
A paixão do Vitória por aviões. Era, simplesmente, algo avassalador, na cabeça dele. E, naquele tempo, só havia uma saída para alcançar o seu desejo: a aviação militar. Folhetos e folhetos da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, Estado do Rio, passaram a frequentar o imaginário do Vitório. Havia que concluir o colégio (uso, de propósito, a nomenclatura antiga) e inscrever-se.
PINK
Aí veio o nó górdio da vida do Vitório. Nó que se desatou com muito, muito sofrimento. O pretendente à Academia das Agulhas Negras precisava ter o diploma do colégio ou estar cursando a terceira série. E havia um limite de idade. O Vitório estava neste limite, porque recomeçara mais tarde seus estudos. E estava cursando o terceiro colegial. Era a bala de prata, sua única oportunidade de inscrever-se para o exame e tentar passar, para tornar-se um cadete.
PRESIDENTE
Mandou o Vitório toda a papelada exigida. E, ansioso, estudava como um louco - que as provas não eram fáceis. Ele era inteligente, esforçado, estudioso, tinha chance de passar. E torcíamos todos por ele. Eu e Augusto quase não tínhamos mais palavras para conter sua ansiedade. Seria difícil, mas ele conseguiria.
PULLMAN AZUL
Então, o inesperado da silva apareceu um dia na vida do Vitório, carregado de tintas negras. Sua inscrição fora recusada, porque havia uma incongruência nos seus documentos: a burocracia detectara que seu nome aparecia grafado de duas maneiras: o Resende de seu nome ora era com "s", ora era com "z". Se não houvesse a uniformização a tempo, não haveria inscrição.
PULLMAN VERMELHO
E a burocracia venceu todas as tentativas que ele fez para regularizar seus papéis. Não houve tempo de corrigir tudo, de tirar novas vias em cartórios e outros lugares. Ele perdeu a inscrição. E seu sonho de ser aviador militar estolou no meio da tempestade de papéis e se estatelou na montanha de sua decepção, de sua imensa decepção (ele iria, sim, tornar-se aviador - civil - mas por rotas muito mais complicadas, cuja carta de navegação não constitui o escopo dessas lembranças).
QUE TAL
Outra volta no parafuso das lembranças. Uma louca viagem de bicicleta. Os três - patetas! - resolvemos fazer uma aventura em cima de uma magrela: ir de Lavras a Perdões , e voltar, pela nova estrada - asfaltada - que ia até a Fernão Dias e nos levaria à cidade vizinha. Um novo parêntese: Vitório nascera em Perdões, embora se considerasse mais lavrense do que qualquer um de nós. Só nascera lá. E ainda tinha parentes lá.
QUERO-QUERO
Preparamos tudo para a aventura. Acho que seria a aventura de nossas vidas. E pusemos o pé na estrada. Ou melhor, as rodas... E que estrada! Parecia não ter fim, nos seus meandros entre descidas e subidas de morros. Haja subidas e descidas. Nossos restos mortais chegaram a Perdões. E voltar? Seria, para mim, um suicídio - era o menos preparado dos três para esse tipo de loucura. Devo louvar a coragem do Vitório e do Augusto: voltaram de bicicleta. Eu coloquei a minha num ônibus e fui curar mais cedo a quebradeira do corpo.
SARATOGA
Um fato curioso, acho que ainda dos tempos do ginásio. Não sei por quê, não sei como, não me lembro de detalhes. Sei apenas que, durante um período, começamos a aprender Esperanto! Sim, a língua inventada por Lázaro Luiz Zamenhof tinha um professor em Lavras: um farmacêutico vizinho de minha casa. Resolveu dar-nos lições e frequentamos com entusiasmo algumas aulas. Assim como não sei como começaram, também não me lembro como acabaram essas aulas. Ficou, pelo menos para mim, um gostinho ainda hoje acalentado de retomar, um dia, os estudos do Esperanto.
SISSI COM FILTRO
Uma aventura política: tentamos, uma vez, formar uma chapa e concorrer às eleições da União Colegial Municipal de Lavras, com vários amigos. Vitório era o candidato a secretário geral. Eram tempos confusos. Na política, em nossas cabeças, no País. A chapa não obteve registro. Veio o golpe e tudo mudou... Mais tarde, consegui fazer do meu amigo Galvão presidente da UCML, mas isso é outra história...
SISSI LONG SIZE
Tipos exóticos da cidade. Havia um cara, já quase idoso, sempre vestido de terno e gravata, muito alto e magro, que andava pelas ruas em estado de zumbi, falando sempre consigo mesmo. Nunca olhava para as pessoas ou delas tomava conhecimento. Vitório apelidou-o de Mister Concentrated, e assim ele era conhecido por nossa turma. Nunca soubemos quem ele era ou que fim levou.
SELECTA
Também exóticos - e até nos dois sentidos - eram os dois músicos que apareciam de vez em quando por lá. Magros, pequenos, velhos, um tocava rabeca e outro, violão ou algo que se parecia com isso. Vinham de não sabemos onde e iam para não sabemos aonde, assim do nada. Percorriam a cidade, ganhavam uns trocados e iam embora. Como a música mais tocada por eles era a marchinha do Ary Barroso para o carnaval de 1930, sucesso de Francisco Alves, com estes versos: "essa mulher há muito tempo me provoca/ dá nela, dá nela", o apelido deles era... os "Dá-nela". Coisa do Vitório, claro.
SISSI
Cemitério é sempre fonte de atração e medo, quando se é jovem. Um dia, andando pelo velho cemitério de Lavras, eu e o Vitório deparamos com uma cova recém-aberta, pronta para um novo morador. Vitório olhou para um lado e para o outro e, não vendo ninguém, não teve dúvidas, pulou na cova. E mediu sua fundura, para constatar se havia mesmo sete palmos. Será que o coveiro acertou a medida?
SUDAN
A reunião dos três amigos - eu, Augusto e Vitório - ocorria quase sempre na esquina no lado direito do antigo prédio Salvador Zagotta, que dominava a praça doutor Jorge, onde havia uma "porta-janela" com um vão alto, onde sentávamos para conversar, filosofar, contar piada, com certeza para desespero dos moradores ao redor, embora não tenha lembrança de reclamação. Acho que íamos cedo para casa, naquele tempo. Esse prédio foi demolido há pouco.
TABACO DOURADINHO
Outra figura estranha de professor, o Deco. Já no Colégio Nossa Senhora Aparecida. E o Vitório presenciou uma de suas trapalhadas em sala de aula: não sabia se o correto era "lagartixa" ou "largatixa". Contou para nós e tirava muito sarro do professor de trabalhos manuais, que nos ensinava a fazer um monte de inutilidades. Nem me lembro mais do que aprendi com ele, se é que aprendi alguma coisa.
TAMANDARÉ
Quando ainda moleques de calças curtas, frequentávamos, quando podíamos, as sessões de cinema do Cine Municipal, um antigo teatro do início do século, construído segundo as plantas de teatro da época: com palco, plateia, frisas e camarotes. Íamos as sessões das dez da manhã dos domingos, depois da missa, para acompanhar as famosas "fitas em série" que terminavam quase sempre com o mocinho em perigo. Muitas vezes amarrado a uma prancha que deslizava para uma potente serra elétrica.
TROPICAL
Depois que o velho cine Municipal foi demolido (uma grande estupidez), inaugurou-se o moderno Cine Brasil, na Praça Dr. Augusto Silva, ao lado da igreja presbiteriana. Marcante era o início de cada sessão, com as cortinas (havia cortinas?) se abrindo ao som da Protofonia do Guarani, de Carlos Gomes. Acho que foi, para nós, a época áurea do cinema, com muitos filmes inesquecíveis aos nossos olhos... Muito diferente o Cine Brasil do poeirento e velho cine Ipê, que ficava na parte baixa da cidade, lá perto da Estação Ferroviária.
URCA
Os trilhos da Rede Mineira de Viação, depois Rede Ferroviária Federal! Passavam perto da "terrinha" onde jogávamos futebol e por eles caminhávamos por horas, procurando pedra sabão com a qual fazíamos nossos brinquedos, principalmente imitações de utensílios indígenas, como pontas de flechas, machadinhas etc. Também nos levavam, os trilhos, para aventuras mais distantes, como o túnel da, naquela época, distante estação Costa Pinto, no alto da cidade. Passavam poucos trens, já naqueles tempos, por aqueles trilhos...
VALDORA
Uma grande aventura seria conseguir chegar até a Serra da Bocaina, lá longe, bem depois da estação Costa Pinto, onde havia uma torre de televisão e uma vista privilegiada. Somente o Vitório empreendeu a conquista daquele ponto, mas já adulto, e lá voltamos, eu e ele, muito tempo depois, de carro... Estou fugindo ao meu escopo... Voltemos ao mundo dos moleques e dos jovens sonhadores...
WEST POINT
Eu sempre tive um rádio, coisa de meu irmão mais velho, Samuel, que me presenteava com os modelos que ele não mais queria. Lembro de um modelo Philips, preto, pequeno, com dial de vidro posicionado na parte superior externa do gabinete. Por ele viajei nas ondas da Rádio Nacional do Rio de Janeiro e de muitas outras emissoras, principalmente atrás de... música antiga, música do início do século ou de antes de 1950...
WINDSOR
Não sei quando o Vitório começou com essa mania de música antiga. Ainda moleque de calças curtas, com ele aprendi a gostar de cantores do passado, anteriores à nossa geração, como Vicente Celestino, Orlando Silva, Francisco Alves, Carlos Galhardo, Augusto Calheiros e tantos outros. Era uma encrenca conseguir sintonizar emissoras que transmitiam esse tipo de música. E havia um programa, em particular, de que gostávamos tanto, chamado Baú Velho. Mas o velho rádio muitas vezes só nos enchia os ouvidos de estática... Além disso, suas válvulas demoravam a esquentar, e às vezes esquentavam demais...
XENIA
Era o Vitório um saudosista. E foi essa sua principal característica em toda a sua vida. Amava o passado que não vivera, naqueles tempos de Lavras. Depois, passou a amar e a cultivar o passado que nós vivêramos, embora fosse um piloto atento às novidades tecnológicas de seu metier. Não houve adeuses entre nós. Cada um foi para um lado, porque a vida quis assim. Mas os laços de amizade permaneceram fortes. Família a gente não escolhe e, por isso, amamos ou não os parentes, irmãos, primos, tios... Mas, amigos... esses a gente escolhe, cultiva, mantém para sempre, mesmo depois que eles partem. E o Vitório, assim como o Augusto (que também já faleceu), não é apenas um irmão que escolhi, é o eterno moleque que sabia mais aritmética do que eu no Grupo Escolar Álvaro Botelho. Sobrevivi para lembrar e contar o pouco que lembrei. E se dei o nome de LETRAS QUE CHORAM a esse blog, foi para ficar para sempre gravada a preferência do Vitório pela música de Francisco Alves, seu cantor predileto da velha guarda, que soltava a voz no rádio e nos discos pretos de vinil, cantando: "Adeus, adeus, adeus, cinco letras que choram..."
FIM
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